Feitiço com Hekate: Adaptação dos Papiros Gregos Mágicos

Pythia Draco

Pythia Draco

Sacerdotisa da Tradição Caminhos das Sombras

Data

30/03/2026

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5 min

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Feitiço com Hekate: Adaptação dos Papiros Gregos Mágicos

Neste vídeo, eu mostro uma adaptação moderna de um feitiço dos Greek Magical Papyri, o PGM IV.2785–2890. No título, ele aparece como uma oração a Selene para qualquer feitiço, mas ao longo da invocação fica claro que essa deusa também é identificada com Hécate, Perséfone e Ártemis.

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Como muitos ritos antigos trazem ingredientes hoje inviáveis ou inacessíveis, adaptei o feitiço preservando sua lógica ritual. No original, a imagem tríplice de Hécate deveria ser gravada numa pedra, purificada com natrão e água, e consagrada com sangue, além de receber oferendas como estoraque, mirra, sálvia, olíbano e caroço de fruta. Na adaptação moderna, em vez de esculpir a imagem, eu a pintei na pedra e a consagro com incenso, chama e unção ritual com um líquido vermelho simbólico, como vinho tinto, romã ou Sangue de Dragão.

  1. Materiais:
  2. uma pedra
  3. tinta ritual ou tinta consagrada e pincel fino
  4. velas
  5. incenso de estoraque, mirra, sálvia e olíbano
  6. um caroço de fruta de oferenda
  7. um líquido vermelho para a unção da pedra (tinta de sangue de dragão/vinho tinto/ou preferencialmente 3 gotas do seu sangue)
  8. lanceta de farmacia para retirar seu sangue de forma indolor e segura caso opte por usar
  9. opcionalmente, uma chave como símbolo de Hécate

Passo a passo:

  1. Purifique a pedra com incenso
  2. Pinte nela os três rostos pedidos pelo texto: cão à esquerda, face feminina cornuda no centro e cabra à direita.
  3. Acenda a vela e o incenso.
  4. Consagre a pedra com a fumaça do incenso, com a chama da vela e com o líquido vermelho escolhido para a unção.
  5. Recite o encantamento.
  6. Depois de recitar, diga a Hécate com clareza qual é o seu pedido, desejo ou intenção.
  7. Ao final, deixe a pedra no altar ou na entrada da casa.

Encantamento em português:

Vem a mim, ó senhora amada, Selene de três faces; ouve com bondade os meus cânticos sagrados. Ornamento da noite, jovem, tu que levas luz aos mortais; filha da aurora, que cavalgas sobre touros ferozes; rainha que conduz teu carro no mesmo curso de Hélio, tu que danças entre as estrelas com as formas triplas das Três Graças. Tu és a Justiça e os fios da Moira: Cloto, Láquesis e Átropos.

De três cabeças, és Perséfone, Megaira, Alecto, de muitas formas, tu que armas tuas mãos com tochas sombrias e temíveis, que agitas sobre a fronte teus cabelos de serpentes assustadoras, que fazes sair de tuas bocas o rugido dos touros. Teu ventre é adornado com as escamas das criaturas rastejantes, e por tuas costas descem fileiras venenosas de serpentes, presas por correntes terríveis. Clamadora da Noite, de face de touro, amante da solidão, cabeça de touro, tens olhos de touro e voz de cães. Ocultas tuas formas em pernas de leões; teu tornozelo tem forma de lobo; cães ferozes te são queridos, e por isso te chamam Hécate, de muitos nomes, Mene, aquela que corta o ar como Ártemis flecheira, Perséfone, caçadora de cervos, brilhante na noite, de som tríplice, Selene de três cabeças, de três vozes, de três pontas, de três faces, de três pescoços, deusa dos três caminhos, tu que sustentas o fogo incansável em três cestos, tu que frequentas tantas vezes o caminho tríplice e governas as três décadas. A mim, que te invoco, sê graciosa e escuta com bondade, tu que guardas o vasto mundo durante a noite, diante de quem os daimones tremem de medo e os deuses imortais estremecem. Deusa que exaltas os homens, tu de muitos nomes, que geras bela descendência, de olhos de touro, cornuda, mãe dos deuses e dos homens, Natureza, Mãe de todas as coisas. Tu percorres o Olimpo e atravessas o abismo amplo e sem limites. Tu és o princípio e o fim, e só tu governas todas as coisas. Pois tudo vem de ti, e em ti tudo, ó Eterna, chega ao seu fim. Como uma faixa eterna em volta de tuas têmporas, tu usas as correntes de Cronos, inquebráveis e impossíveis de remover. Em tuas mãos sustentas um cetro dourado, e ao redor dele o próprio Cronos escreveu letras e te deu para portar, para que todas as coisas permaneçam firmes: dominadora e dominada, dominadora da humanidade, dominadora da força; até o próprio Caos está sob teu governo.

ARARACHARA/RA EPHTHISIKERE.

Salve, deusa, e atende aos teus epítetos. Eu queimo para ti este perfume, ó filha de Zeus, flecheira, celeste, deusa dos portos, tu que vagueias pelas montanhas, deusa das encruzilhadas, ctônica, noturna e infernal, deusa escura, silenciosa e terrível, tu que fazes tua refeição entre os túmulos, Noite, Escuridão, amplo Caos. Tu és a Necessidade da qual é difícil escapar; és Moira e Erínia, tormento, Justiça e Destruidora. Manténs Cérbero acorrentado. És sombria com escamas de serpentes, tu de cabelos de serpente, cingida de serpentes, que bebes sangue, que trazes morte e destruição, que te alimentas de corações, devoradora de carne, que consomes os mortos antes do tempo, tu que fazes o luto ressoar e espalhas a loucura. Vem aos meus sacrifícios e agora, para mim, cumpre esta questão.

Depois da recitação, diga de forma direta e clara qual é o seu desejo, pedido ou intenção, e ofereça isso à presença de Hécate com respeito, foco e firmeza.

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