Bruxaria: Tradições e Conceitos

Bruxaria: Tradições e Conceitos

Atualmente é muito comum ouvirmos falar de diversas Tradições de bruxaria no Brasil e no mundo. Mas quando isso começou? Podemos definir um ponto comum nas ordens mágicas e esotéricas da Europa durante os séculos XIX e XX. Desde então tivemos enormes “booms” de grupos e caminhos ligados direta ou indiretamente as práticas que chamamos de Bruxaria[1]. A Bruxaria hoje pode ser definida como um conjunto de práticas mágico-espirituais, que possuem ou não um corpo religioso-sacerdotal. Alguns caminhos de Bruxaria como: Clan of Tubal Cain, 1734 Tradition/Cochrane’s Craft, Sabbatic Witchcraft, todos esses caminhos dentro do que chamamos de “Bruxaria Tradicional”[2] (BT), não reconhecem a função sacerdotal dentro da Bruxaria nem a entendem como um caminho religioso, estando esses vinculados literalmente ao conceito de “Craft”, que pode ser traduzido para o português como “Arte” ou “Ofício”. Já a Wicca Moderna, Dianic Tradition, Tradição Caminhos das Sombras e Tradição Diânica do Brasil, reconhecem a Bruxaria como um caminho também religioso e sacerdotal e treinam iniciadas e iniciados para atuarem em seus grupos e comunidade como líderes religiosos. É importante frisar que mesmo possuindo um caminho religioso e sacerdotal, tais grupos não excluem ou negam as práticas mágicas e de feitiçaria, historicamente vinculada à figura das Bruxas.

Sabemos que um dos grandes movimentos de ascensão da Bruxaria na modernidade foi e ainda é devido ao movimento feminista e em meados da década de 70 sua busca pela sacralidade feminina no contexto espiritual. Tais anseios levaram as mulheres feministas daquele período a encontrar na Wicca uma divindade criadora que lhes proporcionou identidade e um caminho religioso com o qual se sentiam pertencentes sem se sentirem inferiores ou abaixo das figuras masculinas. Graças ao trabalho de Doreen Valiente, ao sair do coven de Gerald Gardner e desenvolver novas liturgias e textos sagrados com enfoque na Deusa e Z. Budapest criando o conceito de “Sagrado Feminino”, ocorre uma ressignificação das práticas de Wicca e Bruxaria no ocidente; inicialmente nos Estados Unidos e posteriormente em outros grupos de bruxaria pelo mundo, onde a o Sagrado Feminino ganha um enfoque muito maior e em alguns casos, exclusivo[3], nas práticas de culto à Deusa. Após isso a Wicca fica mundialmente conhecida como a Religião da Deusa.

No Brasil, a bruxaria como conhecemos hoje começou a criar raízes em meados da década de 90 em listas de discussões de emails onde praticantes e interessados no tema se reuniam para trocar experiências e ensinamentos sobre a Wicca. A partir desses grupos, organizam-se grupos de mulheres e posteriormente tradições de bruxaria que vem desenvolver um trabalho público principalmente no Centro Oeste, em Brasília e no Sudeste, em São Paulo e Rio de Janeiro.

Hoje em nosso país possuímos grupos de variadas origens e definições quando falamos de Bruxaria; desde grupos de BT, Diânicos, Nórdicos e Wiccanos, temos visto cada vez mais a bruxaria vir a público e se consolidar como uma das diversas formas de caminho espiritual existentes no Brasil.

Para saber mais sobre os grupos no Brasil, recomendamos uma leitura do material online disponível nos sites dos mesmos, conversas virtuais ou presenciais com os membros, se possível, e uma mentalidade sempre aberta a aprender e respeitar as diversas expressões de sagrado dentro do paganismo.

Álex Hylaios

[1] Para um melhor entendimento do contexto histórico e diversas caminhos de “Bruxaria” existentes, leia o livro introdutório: História da Bruxaria, de Jeffrey B. Russel e Brooks Alexander. 2008.
[2] Sobre Bruxaria Tradicional x Bruxaria Moderna, ler os autores: Gerald Gardner, Alex Sanders, Janet & Stewart Farrar, Robert Cochrane, Michael Howard e Andrew Chumbley.
[3] Ler sobre Dianismo/Tradições Diânicas

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